Conheça alguns limites do corpo humano

Nosso corpo é dotado de mecanismos de defesa que garantem que possamos passar por momentos dos mais adversos. Mas para tudo há um limite. 

E como ninguém é super-homem, muito menos você que não tem treinamento nem acompanhamento especial como alguns recordistas que apresentaremos a seguir, o velho conselho vale: não tente isso em casa! 

Conheça, a seguir, as respostas de nosso organismo em situações extremas, veja !

Quanto tempo podemos sobreviver sem tomar água?


Sem nada de água, dificilmente o ser humano sobrevive mais do que três dias, afirma o médico e professor titular de fisiologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) Antonio Claudio Lucas da Nóbrega. 

Segundo ele, esse tempo dependerá muito da temperatura e da umidade do ambiente em que o indivíduo está. Quanto mais seco e mais calor, mais rápido desidratamos. A salinidade também faz muita diferença, pelo seu efeito osmótico: o sal atrai água e a retira do nosso corpo. 

“Precisamos tomar água o tempo todo. Em um dia, o normal é que uma pessoa perca até 2 l, por isso a importância de repor diariamente”, orienta o médico. 

A alternativa encontrada em um recente caso no qual pescadores naufragados em Cabo Frio beberam urina para saciar a sede não é recomendável. Segundo o professor, ao mesmo tempo em que repuseram o volume de líquido também ingeriram substâncias tóxicas como a amônia e a creatinina.

Quanto tempo uma pessoa pode viver sem comida?


É difícil precisar, depende da composição corporal do indivíduo, observa o professor de fisiologia Antonio de Nóbrega. Porém, é possível ficar sem comer por várias semanas. 

“Normalmente, o que acontece é a pessoa acabar adoecendo com o tempo, pois a falta de alimentos essenciais, como vitaminas, enfraquece a imunidade”, explica Nóbrega. 

Quando alguém faz greve de fome, raramente bebe só água, ingere também algum aminoácido, então é possível prolongar até por meses esta situação. Bebendo água pura, é possível suportar até cerca de três meses sem comer. 

“Mas é muito perigoso afirmar esse tempo, sempre depende de fatores variados, como doenças prévias e composição corporal”, destaca o professor. O dissidente cubano Guillermo Fariñas já fez mais de 20 greves de fome para protestar contra o governo do seu país. Na maior delas ficou 135 dias sem comer, em 2010.

Qual é o percentual máximo de sangue que uma pessoa pode perder?

Nosso volume de sangue circulante é, em média, de 5,5 l, considerando uma pessoa de 70 kg. Até metade desse total é possível administrar sem muita dificuldade, afirma o professor de fisiologia da UFF Antonio de Nóbrega. Com menos sangue, a pressão arterial aumentaria para que o sangue conseguisse transportar os nutrientes e oxigênio para todo o corpo, o que pode levar à taquicardia. À medida que o indivíduo vai perdendo mais sangue, a taquicardia aumenta e pode haver hipotensão e perda de consciência.

Qual é o limite de altitude que pode fazer alguém perder a consciência?


Um ser humano consegue subir até cerca de 6 mil m de altitude, sem suplemento para oxigenação, diz o professor da UFF Antonio de Nóbrega. Contudo, durante a subida de uma montanha, por exemplo, em que mochileiros estão sem equipamentos, a falta de oxigenação no cérebro e nos pulmões vai provocando desconforto, como dor de cabeça e náusea. O corpo começa a se adaptar imediatamente, aumentando a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue, que ajudam a transportar mais oxigênio. Acima de 6 mil m é preciso contar com equipamento adequado.

Quanto frio podemos suportar? E calor?


Uma aventura no deserto ou uma expedição no polo sul pode levar o corpo ao extremo. Tanto frio quanto calor são capazes de matar. O anesteseologista Alexandre Slullitel afirma que cada organismo tem um comportamento individual muito diferente, por isso, é difícil precisar a temperatura máxima ou mínima que podemos suportar. 

O que pode ser determinante, mais do que a temperatura em si, é o tempo de exposição.

 “Tudo depende da intensidade, da variação de temperatura e do tempo em que o organismo é exposto”, alerta o especialista. 

Os principais sintomas de quem está sofrendo hipertermia (excesso de temperatura corporal) são suor, desidratação, boca seca, pele flácida e a consequente parada do funcionamento dos órgãos. Já na situação contrária, na hipotermia, as primeiras reações do corpo são tremor e contração muscular. No livro A Vida no Limite - A Ciência da Sobrevivência, a fisiologista inglesa Frances M. Aschcroft afirma que, em um ar parado de -29º C, há pouco perigo para uma pessoa adequadamente vestida.

 Se o vento for de meros 16 km/h, porém, a sensação térmica cai para o equivalente a -44º C e a pele congela em menos de um ou dois minutos. Já no calor, se a temperatura basal - temperatura dos tecidos do corpo e do abdômen - passar dos 42º C ocorrerá morte por insolação. No livro, há o registro de um homem que suportou 15 minutos a uma temperatura de 105º C!

Quanto tempo uma pessoa consegue ficar sem respirar?

Uma pessoa normal, sem treinamento, aguenta entre um e dois minutos. Depois disso, falta oxigenação cerebral e a pessoa desmaia, explica o professor titular de fisiologia da UFF, Antonio de Nóbrega. 

“Interessante é o mecanismo de proteção que faz o indivíduo voltar a respirar espontaneamente durante o desmaio, o que explica a impossibilidade de tentar suicidar-se trancando a respiração”, explica.

Existem atletas em apneia - suspensão da troca de ar com a atmosfera. A brasileira Karol Meyer é profissional de mergulho em apneia e recordista mundial: é dela a marca de 18 minutos e 32 segundos em apneia estática, quando o atleta fica submerso sem movimentar-se. Mas não tente isso na piscina de casa! Esses profissionais são treinados e aprendem técnicas que ensinam a guardar mais volume de ar no corpo, a mergulhar da forma mais adequada e até a concentrar-se, pois a atividade cerebral também consome oxigênio.

Qual o máximo de tempo em pé que podemos suportar?

Se ficarmos em pé, mexendo as pernas, é possível suportar por horas, já que favoreceríamos o retorno do sangue ao coração para seguir bombeando. Mas, totalmente parados, ao longo do tempo, o sangue acabaria acumulando nos membros inferiores e faltaria oxigenação cerebral, afirma o professor Antonio de Nóbrega. “Existem pessoas com mais sensibilidade e que, numa situação dessas, certamente desmaiariam em pouco tempo. Para uma pessoa saudável, a princípio, não haveria desmaio e ela poderia ficar por horas em pé, já que nosso corpo está adaptado para a vida bípede e corrigiria a falta de sangue nos membros e órgãos superiores aumentando os batimentos cardíacos para manter a pressão arterial normal”, explica.

A que profundidade uma pessoa pode mergulhar sem equipamentos?

Até cerca de 30 m, uma pessoa sem treinamento pode conseguir mergulhar livre de qualquer auxílio. O médico Antonio de Nóbrega destaca que, neste caso, vai depender muito do fôlego da pessoa. “O primeiro sintoma de que a pessoa chegou ao seu limite é a falta de oxigenação, depois, problemas na pressão”, diz Nóbrega. Em abril de 2011, o neozelandês William Trubridge bateu o recorde: 121 m de profundidade em mergulho livre, depois de uma única inalação de ar.

Quanto tempo conseguimos ficar sem dormir?


Segundo a médica do Instituto do Sono de São Paulo Dalva Poyares, não se conhece um experimento desse tipo em humanos, “mas os ratos morrem após duas semanas de privação total de sono”, comenta. 

Contudo, uma experiência não-científica ficou famosa nos anos 60. Em dezembro de 1963, o então estudante Randy Gardner impôs a si mesmo o desafio da privação do sono e resistiu por 264 horas. Contando inicialmente apenas com a ajuda de dois colegas, a experiência de Randy ganhou a supervisão do pesquisador da Universidade de Stanford, William C. Dement. Os três mantiveram o estudante desperto jogando basquete ou fazendo-o falar a cada vez que fosse ao banheiro.

 Não foi usada nenhuma droga durante esse tempo - nem mesmo cafeína. Ao final da experiência, médicos não encontraram nada de errado fisicamente no jovem, mas ele apresentou muita tontura, dificuldade de focar seu olhar e de lembrar sobre o que havia falado de um minuto para o outro. Depois de Randy, o Guinness Book já registrou outros recordes: em abril de 1977, Maureen Weston, na Inglaterra, ficou 449 horas sem dormir enquanto participava de uma maratona de cadeira de balanço.

Qual o maior choque elétrico que uma pessoa pode suportar?

A situação dependerá tanto da voltagem (tensão) quanto da amperagem (corrente elétrica), destaca o médico internista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre André Luis Ferreira da Silva. O contato com uma tensão de 120 volts e uma corrente elétrica de mais de 20 miliampères já pode provocar parada respiratória. 

Porém, é a partir de um choque de 2 ampère que o indivíduo pode sofrer assistolia (ausência de batimentos cardíacos), informa o médico, também sócio da HTAnalyze, empresa que produz conteúdo científico na área da saúde. Para se ter uma ideia, a amperagem máxima de uma casa no Brasil costuma ser de 50 ampères. Ou seja, não bote o dedinho na tomada! O contato com uma tomada de 110 volts pode lhe dar uma descarga elétrica de 20 ampères, 10 vezes o necessário para que seu coração pare.

Fontes: [ Running For World ]
Autor:

Vinicius Delmondes



Artigo:

Data: 01/09/2013
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